Carta aos Romanos – Estudo 4/5: ISRAEL, A SOBERANIA DE DEUS E A MISERICÓRDIA QUE NINGUÉM MERECE
🌿 O Mistério do Plano de Deus Para os Povos Depois do capítulo 8, qualquer pregador seria tentado a encerrar a carta ali. O argumento está feito. A glória está declarada. A vitória está garantida. Mas Paulo não encerra. Porque há uma questão que todo judeu convertido e todo gentio em Roma precisava responder: se Deus é fiel, por que Israel rejeitou o Messias? Se as promessas de Deus são inabaláveis, o que aconteceu com o povo das promessas? Essa não é uma questão apenas histórica. É uma questão teológica de primeira ordem. Porque se Deus falhou com Israel, como você vai confiar que Ele não vai falhar com você? Paulo abre o capítulo 9 de um jeito que surpreende. Ele não começa com argumento. Começa com dor. “Tenho grande tristeza e incessante angústia no meu coração. Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor a meus irmãos, meus parentes segundo a carne” (Romanos 9:2-3). Paulo estava disposto a se perder se isso salvasse Israel. Isso é amor pastoral no nível mais alto. É o mesmo espírito de Moisés, que pediu a Deus para ser apagado do livro da vida em favor do povo (Êxodo 32:32). Pregador que não tem dor pelas almas perdidas tem apenas ministério, mas não tem missão. Paulo então lista o que Israel recebeu: a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os patriarcas, e de quem Cristo veio segundo a carne (Romanos 9:4-5). Nenhum povo recebeu tanto. Nenhum povo estava tão perto. E ainda assim rejeitou. Isso deveria ser um aviso para todo crente que cresceu na Igreja, que tem pai e mãe convertidos, que conhece a Bíblia de memória. Proximidade com as coisas de Deus não é garantia de salvação. O que salva é a fé pessoal, não a herança religiosa. Mas Paulo deixa claro que a Palavra de Deus não falhou (Romanos 9:6). O problema não é a fidelidade de Deus. O problema é a definição de Israel. Porque nem todos os que descendem de Israel são de Israel (Romanos 9:6). Há um Israel segundo a carne e um Israel segundo a promessa. Há uma descendência biológica e uma descendência espiritual. Abraão teve vários filhos pois teve três mulheres ao longo de sua vida, mas a promessa foi em Isaque (Romanos 9:7). Isaque teve dois filhos, mas a escolha recaiu sobre Jacó antes de qualquer um fazer bem ou mal (Romanos 9:11). E aqui Paulo entra num terreno que faz muita gente desconfortável. Ele cita Deus dizendo: “Jacó amei, mas Esaú odiei” (Romanos 9:13, citando Malaquias 1:2-3). E antes disso: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia” (Romanos 9:15, citando Êxodo 33:19). Paulo está afirmando a soberania absoluta de Deus nas suas escolhas. E ele antecipa a objeção humana com honestidade: então por que Deus ainda encontra falta em nós? Quem pode resistir à sua vontade? (Romanos 9:19). A resposta de Paulo não é uma explicação filosófica. É uma correção de postura. Quem és tu, ó homem, para responder a Deus? Porventura pode o barro dizer ao oleiro: por que me fizeste assim? (Romanos 9:20). Isso não é autoritarismo divino. É a afirmação de que Deus é Deus e você não é. A criatura não tem base epistemológica para julgar o Criador. Você não tem informação suficiente, não tem perspectiva suficiente, não tem santidade suficiente para sentar no banco do júri e avaliar as decisões de Deus. Mas atenção: Paulo não está pregando um calvinismo fatalista onde o homem não tem responsabilidade. Ele está pregando a soberania de Deus sem eliminar a responsabilidade humana. Ao longo de toda a carta ele deixou claro que a fé é o canal da salvação, que qualquer um que invocar o nome do Senhor será salvo (Romanos 10:13). Os dois lados são verdadeiros ao mesmo tempo. A eleição é real. A responsabilidade humana é real. A tensão entre elas é o lugar onde a teologia vive, não o lugar onde ela se resolve facilmente. No capítulo 10, Paulo volta ao coração pastoral. O desejo do meu coração e a minha súplica a Deus a favor de Israel é para que sejam salvos (Romanos 10:1). Ele não desistiu de Israel. Nem Deus desistiu. E o que Israel precisava ouvir era o mesmo que qualquer ser humano precisa ouvir: porque se confessares com a tua boca que Jesus é Senhor e creres no teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Romanos 10:9). Essa é uma das declarações de salvação mais claras de toda a Bíblia. Dois elementos: confissão e crença. Boca e coração. Não é só mental. Não é só emocional. É confissão pública de que Jesus é Senhor, com a crença interna de que a ressurreição aconteceu de verdade. Senhor aqui não é título de educação. É declaração de soberania. Dizer que Jesus é Senhor é dizer que ele manda na sua vida. Qualquer evangelho que não chega nesse ponto não chegou longe o suficiente. Aliás, tratamos disso na aula passada, segunda-feira, que é quando ministramos aulas de teologia para os nossos incríveis alunos, os quais, estão aprendendo muito, tanto em sala de aula, quanto em nossas conversas pelo grupo de alunos na comunidade secreta. Não é apenas assistir vídeo, é mergulhar na bíblia de verdade. Nosso curso vai muito além de vídeo e apostila como os demais por aí. Só vendo para entender. Por isso, fica aqui o convite para que você veja uma aula sem compromisso, para isso, basta chamar no zap: 1195600-5068. Enfim, na segunda feira passada, aprendemos sobre soteriologia, e entendemos a dinâmica da salvação desde os ouvidos, passando pela mente, pela alma, alcançando o coração do pecador, e o convertendo. O que Paulo descreveu em palavras, nós mostramos em ação, com um desenho tridimensional, foi incrível. Agora, você percebeu que, ao mesmo tempo que Paulo diz que Deus amou a Jacó e não a Esaú, também diz que, Israel ainda pode ser salvo? Mesmo aqueles que o rejeitaram? Porque não … Ler mais