Arminianismo: Sumário e Refutação

Hélio de Menezes Silva, 2017 Queremos tratar não das modernas versões do arminianismo modificadas por Wesley, ou pelos Holiness, ou por Finney, etc., mas do Arminiano original, clássico, iniciado pelo holandês Jacobus Arminius (1560 – 1609) e consolidado na Remonstrância (1610), tendo sua versão final do Sínodo de Dort (1618–19). Para início de conversa, devemos ter cuidado para não “seguir a moda” e, injusta e vergonhosamente, caluniarmos o arminianismo clássico afirmando que defendeu e iguala-se completamente ao semipelagianismo, que um é sinônimo do outro. Para se avaliar qualquer corrente de pensamento, temos que ler seus originadores (o que eles mesmos ensinaram), só depois ler seus críticos, compararmos tudo, chegarmos a honestas e fundadas conclusões, mas a maioria dos críticos do arminianismo que conheço nunca leu nas fontes. Ora, há uma importantíssima diferença: o arminianismo clássico ensina a total depravação do homem, enquanto o semipelagianismo odiou este ensino. Para comprovarmos que o arminianismo clássico ensina a total depravidade do homem deixado a si mesmo, vejamos algumas frases de alguns teólogos arminianos: – Armínio: “Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina.” [Arminius, James The Writings of James Arminius (three vols.), tr. James Nichols and W.R. Bagnall (Grand Rapids: Baker, 1956), I:252] – Simon Episcopius, discipulo de Armínio: “O homem não tem fé salvadora em si mesmo; nem ele nasce de novo ou se converte pelo poder de seu próprio livre arbítrio: se achando no estado de pecado, ele não pode pensar, muito menos querer ou fazer qualquer bem que seja de fato salvificamente bom a partir de si mesmo: mas é necessário que ele seja regenerado e totalmente renovado por Deus em Cristo pela Palavra do Evangelho e pela virtude do Espírito Santo, em conjunto com o seguinte: no entendimento, afeições, vontade e todos os seus poderes e faculdades, para que ele possa ser capaz de compreender, meditar, querer e realizar essas coisas que são salvificamente boas.” [Simon Episcopius, Confessions of Faith of Those Called Arminians (London: Heart & Bible, 1684), 118.] – H. Orton Wiley: “Depravação é total na medida em que afeta todo o ser do homem“. [H. Orton Wiley, Christian Theology (Kansas City, MO: Beacon Hill, 1941), 2:98.] Agora, adaptaremos a partir de textos tirados de http://www.arminianismo.com/index.php/categorias/diversos/artigos/277-silas-daniel/976-silas-daniel-em-defesa-do-arminianismo, resumindo, a bem da concisão omitindo palavras e sentenças (usualmente indicando por isso por reticências “…”), adicionando ênfases, versículos, [comentários entre colchetes] e refutações. 1) … Deus determinou salvar algumas pessoas e condenar as demais a partir de Seu PRÉ-CONHECIMENTO  sobre a fé ou a incredulidade futuras dessas pessoas. Ou seja, a eleição ou a condenação divinas não são decisões arbitrárias de Deus, mas decisões tomadas por Deus desde a eternidade com base em Sua presciência em relação às escolhas futuras das pessoas. Escreveu Arminius: “Deus determinou salvar e condenar certas pessoas em particular. Este decreto tem seu fundamento no PRÉ-CONHECIMENTO de Deus, pelo qual Ele conheceu desde toda a eternidade aqueles indivíduos que, por meio da Sua graça PREVENIENTE, creriam; e por meio de sua graça subsequente, perseverariam; […] e por esse mesmo pré-conhecimento, Ele semelhantemente conheceu aqueles que não creriam e não perseverariam” (GONZÁLES, Ibid., p. 285). [Hélio: graça preveniente, para os arminianos (e para mim), tem significado diferente de para calvinistas: é aquela indispensável graça de Deus que convence, chama, ilumina e capacita, ao chamar, e que precede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis, mas capacita sem obrigar.] [HÉLIO: A TERMINOLOGIA ARMINIANA SOBRE “O SALVO PERSEVERAR” É ERRADA: NO MÍNIMO É OBSCURA E ESCORREGADIA. NA PRÁTICA, É O MAIS MORTÍFERO VENENO ARMINIANO QUE LEVA TANTOS AO INFERNO, POIS CONDUZ À MISTURA DE FÉ E OBRAS PARA A SALVAÇÃO FINAL, LEVA À INSEGURANÇA DE SE IMAGINAR SE SE VAI OU NÃO PERSEVERAR SUFICIENTEMENTE. O CERTO E BÍBLICO É SE CONFIAR NA PERSEVERANÇA DO SALVADOR EM NOS PRESERVAR, CONSERVAR SALVOS (SOMENTE PELO FATO DE JÁ TERMOS CRIDO BIBLICAMENTE EM CERTO DIA), APESAR DE NOSSAS FRAQUEZAS E QUEDAS, NÃO PELA NOSSA PERSEVERANÇA. JO 3:18; 10:28-29; RM 8:28-30,35,38-39; 1CO 5:3-5; EF 4:30. EM OUTRO ARTIGO DESTA SÉRIE EXPLICAREMOS MELHOR.] Paulo afirma: “…os que DANTES CONHECEU, também os predestinou…” (Rm 8.29,30). E Pedro assevera que somos “eleitos, segundo a PRESCIÊNCIA de Deus Pai” (1Pe 1.2). Portanto, os calvinistas erram ao vincular a presciência divina à causalidade. Para ser mais preciso: eles erram ao afirmar que Deus conhece previamente todas as coisas porque predestinou todas as coisas. Ora, o texto bíblico é claro: a presciência vem antes da predestinação e da eleição. Estas decorrem daquela, e não o contrário. Deus conhece previamente tudo porque é onisciente, e não porque predeterminou tudo. Deus não precisa predeterminar tudo para saber de tudo. Sim, Ele predetermina muitas coisas, mas não tudo. Além desses textos bíblicos que colocam claramente a presciência antes da predestinação e da eleição, há muitos textos bíblicos que falam da onisciência divina de forma geral sem sugerir que ela decorre de uma predeterminação de todas as coisas. Salmos 139.2-4 é um deles. Além disso, a maior prova de que a onisciência divina não é fruto de predeterminação é que a Bíblia diz que Deus conhece até mesmo o “futuro contingente condicional”. O futuro contingente condicional não é aquilo que acontecerá, mas aquilo que aconteceria se as circunstâncias e as decisões fossem outras. Ou seja, Deus não sabe só o que vai acontecer, mas também “o que aconteceria se”. O exemplo clássico desse tipo de conhecimento divino é o da oração de Davi acerca do povo de Queila (1Sm 23.1-13). Davi perguntou a Deus se era verdade o que tinha ouvido de que Saul estava descendo à cidade de Queila para pegá-lo, e Deus respondeu que sim, num caso clássico de conhecimento do futuro causal. Porém, na sequência, Davi perguntou também se o povo de Queila, mesmo depois de tudo que Davi fizera por eles contra os filisteus, mesmo depois de recebê-lo tão bem com os seus homens, o trairiam mais à frente, entregando-o a Saul na primeira oportunidade; e Deus respondeu que sim, que entregariam, e Davi então saiu … Ler mais

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