A Carta Que Mudou a História da Igreja
Paulo não escreve para impressionar. Ele escreve porque tem algo urgente a dizer. E quando Paulo tem algo urgente a dizer, o mundo espiritual treme.
A carta aos Romanos não é um tratado filosófico para intelectuais. É um evangelho em chamas dirigido a uma Igreja real, em Roma, no coração do império mais poderoso da terra. Paulo ainda não esteve lá pessoalmente, mas já sente o peso de ir. Porque Roma precisa ouvir o que ele tem a anunciar (Romanos 1:10-13).
Ele começa se identificando: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Romanos 1:1). Repare que ele não diz “cidadão romano”, não diz “ex-fariseu”, não diz “discípulo de Gamaliel”. Ele diz: servo. Separado. Chamado. Identidade redefinida pelo evangelho. Isso já é um confronto para todo cristão que ainda se define mais pelo que era do que pelo que se tornou em Cristo.
Este evangelho, ele explica, não nasceu ontem. Foi prometido antes pelos profetas nas Sagradas Escrituras (Romanos 1:2). Paulo não está inventando uma nova religião. Está revelando o cumprimento de tudo que Deus prometeu. O Antigo Testamento aponta para Cristo. O Novo Testamento declara que Ele chegou. Quem lê a Bíblia como dois livros separados está perdendo a unidade mais gloriosa da revelação divina.
Jesus, diz Paulo, foi declarado Filho de Deus com poder pela ressurreição dos mortos (Romanos 1:4). Não basta proclamar Cristo crucificado. O Cristo que salvou é o Cristo ressurreto. Sem ressurreição, não há evangelho. Há apenas uma história bonita de um mártir. Paulo não prega mártires. Ele prega um Senhor vivo.
E então vem uma das declarações mais explosivas de toda a carta: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16). Essa frase foi escrita para uma pessoa em Roma, capital do mundo, onde poder significava legiões, imperadores e espadas. E Paulo diz: eu tenho o poder de verdade. E ele cabe numa mensagem.
Não se envergonhar do evangelho não é apenas não ter vergonha de dizer que é cristão. É não suavizar a mensagem para agradar ouvidos sensíveis. É não trocar profecia por entretenimento. É não substituir o arrependimento por autoajuda. É pregar Cristo crucificado mesmo quando o auditório prefere Cristo motivador.
Em seguida Paulo explica por que o evangelho é necessário com uma honestidade brutal: a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça (Romanos 1:18). O mundo moderno quer um Deus sem ira. Um Deus tolerante, acolhedor, que nunca julga ninguém. Mas esse Deus não existe na Bíblia. O mesmo Deus que é amor é também justo. E a justiça de um Deus perfeito necessariamente reage contra o pecado.
Paulo argumenta que nenhum ser humano tem desculpa. Porque o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre os homens, pois Deus lho manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, desde a criação do mundo, são percebidos através das coisas que foram criadas (Romanos 1:19-20). A criação é uma pregação muda e constante. Cada amanhecer é um sermão. Cada estrela é um testemunho. Quem olha para o universo e nega que há um Criador não está sendo intelectualmente honesto, está sendo espiritualmente resistente.
O resultado de rejeitar essa luz? Paulo descreve uma espiral descendente devastadora. Embora conhecessem a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças, antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios (Romanos 1:21). Quando o homem recusa adorar ao verdadeiro Deus, não para de adorar. Nunca. Ele apenas muda o objeto da adoração. E aí começa o colapso.
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos (Romanos 1:22). Essa frase devia estar nas entradas de muitas universidades. A inteligência sem Deus não produz sabedoria. Produz sofisticação na insensatez.
Paulo então descreve o julgamento de Deus sobre essa rejeição com uma expressão repetida três vezes: “Deus os entregou” (Romanos 1:24, 26, 28). Deus os entregou à impureza. Deus os entregou a paixões infames. Deus os entregou a uma mente reprovada. O maior julgamento de Deus sobre um povo não é necessariamente o fogo imediato. Às vezes é simplesmente deixar as pessoas terem o que escolheram. É remover a restrição e dizer: muito bem, então tenham isso.
Mas Paulo não deixa os religiosos escaparem ilesos. No capítulo 2 ele vira o bisturi para o outro lado. Qualquer um que julga outro ser humano pratica as mesmas coisas que condena (Romanos 2:1). Isso era dirigido ao judeu que ouvia a descrição do paganismo e dizia “amém, pregador!” enquanto vivia em contradição com a lei que professava. É fácil aplaudir sermões sobre os pecados dos outros. A questão é o que você faz com sua própria vida quando as luzes se apagam.
Paulo vai fundo: as obras externas de religiosidade não salvam ninguém. A circuncisão, símbolo máximo da identidade judaica, não tem valor se a lei é transgredida (Romanos 2:25). O que vale não é o ritual, é a realidade. Não é a aparência externa, é a transformação interna. Não é o que você faz na Igreja no domingo. É quem você é na segunda-feira.
E então Paulo chega à conclusão devastadora do bloco inicial: “Tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” (Romanos 3:9). Não há exceção racial. Não há exceção religiosa. Não há exceção cultural. Toda carne está infectada. Todos falharam. Todos precisam de salvação.
Isso não é pessimismo. É o diagnóstico honesto que precede a cura. Você só busca um médico quando aceita que está doente. E Paulo está prestes a apresentar o remédio mais extraordinário que a humanidade já recebeu. Mas esse remédio vem no próximo estudo.
Por agora, fica com esta questão: você conhece o poder do evangelho, ou apenas a sua religiosidade? Você prega Cristo, ou prega uma versão domesticada de Cristo que não confronta, não transforma e não liberta ninguém?
O evangelho de Paulo não era popular. Era poderoso.
Deus abençoe sua vida, sua família e seu ministério em nome de Jesus.
Pregador Manassés clubedepregadores.com.br

