Romanos Estudo 2/5: A FÉ QUE DEUS CONTA COMO JUSTIÇA

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🔥 O Homem Que Acreditou Quando Não Havia Nada Para Ver

No estudo anterior, Paulo fechou o caso contra a humanidade inteira. Judeu e grego, religioso e pagão, todos culpados. Todos sem desculpa. Todos precisando de uma justiça que não é capaz de produzir por si mesmo. Agora, no capítulo 4, Paulo vai mostrar que isso não é novidade. Que Deus sempre operou assim. E ele usa o maior nome da história do povo de Israel para provar o ponto.

Abraão.

Se alguém tinha credencial religiosa para se orgulhar, era ele. O pai da nação. O amigo de Deus. O homem que saiu sem saber para onde ia (Hebreus 11:8). Mas Paulo faz uma pergunta que nenhum rabino queria ouvir: o que Abraão achou, segundo a carne? (Romanos 4:1). Em outras palavras, o que Abraão conquistou por mérito próprio? E a resposta é devastadora para o orgulho religioso. Se Abraão foi justificado por obras, tem motivo para se gloriar. Mas não diante de Deus (Romanos 4:2).

Porque o que a Escritura diz? “Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça” (Romanos 4:3, citando Gênesis 15:6). Não foi a circuncisão. Não foi o sacrifício. Não foi a obediência. Foi a fé. E esta imputação aconteceu antes da circuncisão (Romanos 4:10). Paulo está dizendo algo que arranhava fundo nos ouvidos judeus. A justificação de Abraão veio antes do sinal externo. O sinal veio depois, como selo de algo que já tinha acontecido internamente.

A circuncisão foi sinal, não causa (Romanos 4:11). Isso derruba qualquer sistema que coloca o rito externo como condição para a graça interna. O batismo não salva. A confirmação não salva. A oração do pecador não salva. O que salva é a fé genuína no coração. Os ritos que a gente pratica são respostas à graça, não meios de obtê-la.

Paulo vai além. Abraão é pai dos que creem sem serem circuncidados (Romanos 4:11). Ou seja, os gentios que creem em Cristo são filhos espirituais de Abraão. A família de Deus é maior do que o Israel étnico. Sempre foi. Deus prometeu a Abraão que ele seria herdeiro do mundo, não pela lei, mas pela justiça da fé (Romanos 4:13). O mundo inteiro estava no horizonte da promessa desde o início.

E se a herança viesse pela lei, a fé seria vã e a promessa, anulada (Romanos 4:14). Porque a lei não produz herança. A lei produz conhecimento do pecado (Romanos 3:20). A lei aponta para o problema. A graça oferece a solução. Misturar os dois é destruir os dois. É o que Paulo vai demolir de forma ainda mais intensa em Gálatas, mas aqui em Romanos ele já planta o fundamento.

Agora Paulo descreve a fé de Abraão de um jeito que deveria nos confrontar profundamente. Abraão creu contra a esperança, com esperança (Romanos 4:18). Releia isso devagar. Contra a esperança, com esperança. Do ponto de vista humano, não havia razão alguma para crer. Seu corpo estava como morto, pois era quase centenário, e o ventre de Sara também estava morto (Romanos 4:19). A biologia dizia não. A lógica dizia não. A experiência dizia não.

Mas Abraão não ficou enfraquecido na fé quando considerou seu próprio corpo já sem vigor (Romanos 4:19). Ele considerou o problema. Não ignorou. Não fingiu que estava tudo bem. A fé bíblica não é negação da realidade. É afirmação de uma realidade maior. Abraão viu a impossibilidade e escolheu crer no Deus que faz o impossível.

Não hesitou por incredulidade (Romanos 4:20). Isso não significa que nunca teve dúvida. Significa que a dúvida não ganhou. Que no final das contas, ele fortaleceu-se na fé, dando glória a Deus, plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido (Romanos 4:20-21). A fé de Abraão era uma fé baseada no caráter de Deus, não nas circunstâncias da vida.

E isso, diz Paulo, nos foi escrito também para nós (Romanos 4:23-24). Abraão não é só figura histórica. É modelo espiritual. A fé que foi contada como justiça para ele é a mesma fé que é contada como justiça para nós. Nós que cremos naquele que ressuscitou Jesus, nosso Senhor, dentre os mortos, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitado para nossa justificação (Romanos 4:24-25). A morte e a ressurreição não são só eventos históricos. São os dois pilares da nossa justificação. Ele morreu pelo nosso pecado. Ressuscitou pela nossa justiça.

Aí Paulo respira fundo e entra no capítulo 5 com uma das palavras mais doces da teologia cristã: “Tendo, pois, sido justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). Temos paz com Deus. Não apenas paz de Deus, aquela sensação de tranquilidade interior. Paz com Deus. O estado de hostilidade acabou. A guerra terminou. O inimigo foi reconciliado. O réu foi absolvido. O distante foi trazido para perto.

Por meio de quem também tivemos acesso pela fé a esta graça em que estamos firmes (Romanos 5:2). Acesso. Esta palavra no grego aponta para a entrada a um lugar onde antes não se podia entrar. No Templo havia o Lugar Santíssimo, onde apenas o sumo sacerdote entrava uma vez por ano. Cristo abriu o acesso. Para todos. Para sempre. Pela fé.

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E nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Romanos 5:2). O cristão não vive só no presente da justificação. Vive também com os olhos no futuro da glorificação. Temos destino. Temos esperança real. Não otimismo emocional. Esperança bíblica, que é certeza antecipada daquilo que ainda não se vê.

Mas Paulo vai ainda mais fundo. E nos gloriamos também nas tribulações (Romanos 5:3). Agora ficou difícil. Gloriar na esperança da glória, tudo bem. Mas nas tribulações? Quem faz isso? Paulo explica a lógica espiritual que transforma o sofrimento em instrumento de formação. A tribulação produz perseverança. A perseverança, experiência provada. A experiência provada, esperança. E a esperança não decepciona (Romanos 5:3-5).

Isso é entendimento de que Deus usa o processo para moldar o caráter. O sofrimento que passa pela mão de Deus é a matéria-prima da santidade. Quem foge de toda tribulação, foge também de toda formação.

E como sabemos que a esperança não decepciona? Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5:5). Aqui o Espírito Santo entra em cena pela primeira vez de forma direta nesta carta. E ele entra como garantia do amor de Deus. Não comoo teoria, nem como doutrina. Mas como experiência interna. Derramado. Esta palavra sugere abundância. Não um gotinho de amor divino. E sim uma inundação.

Este é o coração pentecostal de Romanos. O Espírito Santo não é apenas quem regenera. É quem habita. Quem derrama. Quem garante. Quem nos conecta ao amor do Pai de forma pessoal e experiencial. Quem não tem esta dimensão espiritual está vivendo uma versão empobrecida do Evangelho.

Paulo continua construindo o argumento do amor. Dificilmente alguém morreria por um justo, ainda que por uma pessoa de bem talvez alguém ousasse morrer (Romanos 5:7). Ou seja, o heroísmo humano tem seu limite. Morremos por quem admiramos, por quem amamos, talvez por quem consideramos bom. Mas Cristo morreu pelos seus inimigos. Deus prova o seu amor em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Romanos 5:8). Não depois que melhoramos. Não depois que prometemos mudar. Enquanto éramos pecadores. Enquanto éramos inimigos, Ele morreu por nós (Romanos 5:10).

Este é o amor que não cabe em categorias humanas. Nenhum sistema filosófico ou religioso apresenta um Deus que morre pelos seus inimigos. Isso é exclusividade do Evangelho. Nenhuma outra crença tem essa base.

E se quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, muito mais, sendo já reconciliados, seremos salvos pela sua vida (Romanos 5:10). A lógica é irrefutável. Se Deus fez o maior, que era morrer pelo inimigo, certamente fará o menor, que é preservar o reconciliado. Nossa segurança não está na nossa fidelidade que vive por um fio. Mas está na fidelidade de Cristo que vive para sempre para interceder por nós (Hebreus 7:25).

Aí vem a segunda grande comparação de Romanos 5. Adão e Cristo. Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram (Romanos 5:12). Adão não pecou sozinho. Ele pecou representando a humanidade (Chegando lá no céu a gente acerta Ele, quero dizer Isso). Mas somos todos, de alguma forma, Adão. Trazemos a herança do pecado original. Nascemos inclinados para o errado.

Mas assim como a transgressão de um trouxe condenação a todos, também o ato de justiça de um trouxe justificação de vida a todos os homens (Romanos 5:18). Cristo é o segundo Adão. O novo representante. O que Adão destruiu, Cristo restaurou. E mais que restaurou. Onde o pecado abundou, superabundou a graça (Romanos 5:20).

Paulo antecipa aqui uma objeção que vai responder no capítulo 6: se a graça superabunda onde o pecado abunda, então vamos pecar mais para a graça aumentar? Mas isso fica para o próximo estudo.

O que fica deste estudo é a imagem de Abraão crendo contra toda expectativa humana e a imagem de Cristo morrendo por seus inimigos. Dois retratos que definem o Evangelho: uma fé que não depende das circunstâncias e uma graça que não depende do nosso mérito.

A pergunta é: Você tem crido assim? Com a mesma disposição de Abraão de confiar no Deus que ressuscita os mortos, mesmo quando tudo à sua volta parece morto? Este é o desafio. Esta é a fé que agrada a Deus. Esta é a fé que foi, é e sempre será contada como justiça.

Deus abençoe sua vida, família e ministério em nome de Jesus.

*Pregador Manassés*

clubedepregadores.com.br

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