2 CORÍNTIOS: QUANDO A FRAQUEZA SE TORNA O LUGAR DA GLÓRIA
📖 Estudo 2: O ministério que nasce da dor, mas carrega a glória
Depois de falar sobre consolo, sofrimento e dependência de Deus, Paulo abre o coração e mostra que o ministério verdadeiro não é feito apenas de púlpito, aplauso e autoridade. Também é feito de lágrimas, decisões difíceis e amor ferido. 2Co 2.1-4
Ele diz que escreveu com muita tribulação, angústia de coração e muitas lágrimas. 2Co 2.4
Isso aqui precisa ser entendido por todo pregador. Nem toda palavra dura nasce da ira. Às vezes nasce do amor. Paulo não confrontou Corinto porque odiava a igreja. Ele confrontou porque amava demais para assistir a destruição em silêncio. Quantas vezes, você vê o erro na sua igreja, mas prefere se calar? Sinal de que não a ama suficiente para impedir a lenta autodestruição confrontando. Não é dos sinceros o ‘se manifestar’? 1Co 11.19
Hoje tem gente chamando correção de falta de amor. Mas isso é infantilidade espiritual. Amor bíblico não é passar a mão na cabeça do pecado. Amor bíblico corrige para salvar. Hb 12.6. Quando alguém vai finalmente confrontar o pecado? Será que só eu estou cansado dessa surra de almofadas que os pregadores de hoje dão com carinho nos ouvintes? Tudo para não ferir, não matar, não julgar… O importante é manter Jezabel dentro da igreja, pois fora, ela fará pior. E não podemos perder profetas como Balaão, pois é membro importante…. O que dizer senão: Maranata? O que dizer senão: Santidade ao Senhor.
Paulo também mostra que a disciplina não pode virar crueldade. O homem que havia causado tristeza precisava agora ser perdoado, consolado e restaurado. 2Co 2.5-8
Olha o equilíbrio do apóstolo.
Ele não relativiza o pecado, mas também não sepulta o pecador arrependido. E o detalhe importante é a palavra: arrependido. Não é só pecador, é pecador arrependido.
A igreja precisa aprender isso urgentemente. Tem lugar que tolera tudo e chama isso de graça. E tem lugar que não restaura ninguém e chama isso de santidade. Os dois extremos estão errados.
Santidade sem misericórdia vira farisaísmo.
Misericórdia sem arrependimento vira permissividade.
Paulo manda confirmar o amor para com aquele irmão. 2Co 2.8
Por quê? Porque Satanás também trabalha quando a igreja não sabe restaurar. Paulo diz que não ignorava os ardis do inimigo. 2Co 2.11
Veja isso. O diabo age tanto no pecado quanto na falta de perdão. Primeiro ele empurra o homem para cair. Depois tenta impedir que ele seja restaurado. (Ele acusa dos dois lados, porque acusar é o ofício dele.) Ap 12.10
Depois Paulo fala de uma porta aberta em Trôade, mas diz que não teve descanso no espírito porque não encontrou Tito. 2Co 2.12-13
Isso é muito humano.
Havia oportunidade ministerial, mas também havia preocupação pastoral. Paulo não era uma máquina de produzir culto. Ele carregava pessoas no coração.
Tem pregador que ama agenda, mas não ama gente. Ama convite, mas não ama ovelha. Eis o problema de convidar para pregar os que não tem rebanho, mas vivem da lã do rebanho dos outros. Ama microfone, mas não sente o peso do rebanho.
Paulo sentia.
E mesmo no meio dessa tensão, ele declara que Deus sempre nos conduz em triunfo em Cristo. 2Co 2.14
Mas preste atenção. O triunfo de Paulo não era ausência de luta. Era permanecer em Cristo dentro da luta.
O evangelho é como perfume. Paulo diz que Deus manifesta por meio de nós o cheiro do conhecimento de Cristo. 2Co 2.14
Para uns, esse cheiro é vida. Para outros, é morte. 2Co 2.15-16
A mesma mensagem que salva quem se arrepende, endurece quem rejeita. A mesma Palavra que consola o quebrantado, confronta o soberbo. Por isso o pregador não pode adulterar a mensagem para agradar o nariz de quem não gosta do cheiro de Cristo. E o pastor não pode amenizar o cheiro para não endurecer os que rejeitam, como se pudesse salvá-los de outra forma senão por Cristo.
Paulo então diz que não mercadejava a Palavra de Deus. 2Co 2.17. Que frase atual Brasil.
Mercadejar a Palavra é tratar o evangelho como produto. É pregar para agradar cliente. É transformar púlpito em vitrine. É negociar verdade por aceitação. É usar o nome de Jesus para construir império pessoal. Isso não é ministério. É comércio religioso.
O mercadejar no Brasil, identifica-se muito pela aparência do templo e dos serviços prestados. A preocupação é gigante com mídia, com posts, com rede social, com limpeza, com uniforme dos grupos, com decoração, com som, com atendimento na porta, e até em como a pregação irá soar. Afinal, o público precisa rir um pouco para gostar e voltar outro dia. Mas nunca estão preocupados com famílias, não fazem uma visita no lar, nem sequer uma oração, muito menos uma visita no hospital. Pregar contra o pecado esta fora de questão, falar de batismo com Espírito Santo, pior ainda.
O verdadeiro pregador fala em Cristo, diante de Deus, com sinceridade. 2Co 2.17. Prega a bíblia com verdade, com profundidade, com interpretação coerente que se confirma em toda a escritura. Ele sabe o que é exegese. Porém, não precisa de nada disso para ter sucesso no mercado gospel brasileiro, logo não é priorizado.
Depois Paulo entra num dos pontos mais profundos da carta. Ele diz que os coríntios eram carta de Cristo, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo. 2Co 3.2-3
Que imagem poderosa.
O ministério de Paulo não precisava apenas de carta de recomendação, porque vidas transformadas eram sua recomendação. 2Co 3.1-3
Pregador aprovado não é aquele que só tem certificado na parede. É aquele que tem frutos no Reino. Claro que estudo é importante. Formação é importante. Mas diploma sem vida transformada é papel. Ministério verdadeiro deixa marcas espirituais nas pessoas. Se tiver coragem, faça uma análise na sua igreja. Nos últimos 3 anos, os membros que aí estão, ficaram mais firmes com Deus ou estão ainda no mesmo nível de maturidade? Pelo menos todos estão em Jesus, ou alguns já abandonaram a fé sob seus cuidados?
Veja. Paulo afirma que a capacidade dele vem de Deus. 2Co 3.5
Aqui cai outro ídolo moderno: a autoconfiança ministerial.
Paulo era culto, inteligente, conhecia as Escrituras, tinha experiência e autoridade apostólica. Mesmo assim, dizia: “a nossa capacidade vem de Deus”. 2Co 3.5
O pregador precisa estudar como se dependesse dele, mas subir ao púlpito sabendo que depende de Deus.
Porque técnica organiza a mensagem, mas só o Espírito Santo gera vida.
Paulo então contrasta o ministério da letra com o ministério do Espírito. A letra mata, mas o Espírito vivifica. 2Co 3.6
Isso não significa desprezar a Escritura. Pelo amor de Deus, não force o texto. Paulo não está dizendo que a Bíblia mata. Ele está falando da antiga aliança quando tomada sem a vida do Espírito, apenas como condenação externa, sem regeneração interior.
A lei mostra o pecado, mas não dá poder para vencer o pecado. Rm 7.7-11
O Espírito, porém, escreve a vontade de Deus no coração. Ez 36.26-27
Por isso o ministério da nova aliança é mais glorioso. 2Co 3.7-11
Moisés desceu do monte com o rosto brilhando, mas aquela glória era passageira. Êx 34.29-35
Em Cristo, temos uma glória superior, permanente e transformadora. 2Co 3.11
E Paulo diz que onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. 2Co 3.17
Mas cuidado. Liberdade no Espírito não é licença para pecar. É poder para obedecer. É libertação do véu, da escravidão, da cegueira espiritual e da condenação.
Tem gente usando “liberdade” para justificar carnalidade. Mas isso não é liberdade. É prisão maquiada de espontaneidade. Cuidado com a ponta do iceberg, porque no fundo tem muito mais. Significa: cuidado com crentes que demonstram e defendem coisas carnais, como sendo algo pequeno. Pois normalmente, o que aparece em cima na superficie, é porque já não cabe mais embaixo nas profundezas.
A verdadeira liberdade do Espírito nos leva a contemplar Cristo e ser transformados de glória em glória. 2Co 3.18
Esse é o alvo do ministério. Não é formar fãs. Não é formar religiosos. Não é formar pregadores vaidosos. É formar gente parecida com Jesus.
E aqui está a grande lição deste segundo estudo: o ministério verdadeiro nasce da dor, mas carrega a glória.
Ele corrige, mas também restaura. Ele confronta, mas também consola. Ele não vende a Palavra, mas proclama a verdade. Ele não confia na carne, mas depende do Espírito.
Porque no Reino de Deus, a glória não está no homem que aparece. A glória está no Cristo que transforma.
Oremos, por um avivamento.

