🌿 O Mistério do Plano de Deus Para os Povos
Depois do capítulo 8, qualquer pregador seria tentado a encerrar a carta ali. O argumento está feito. A glória está declarada. A vitória está garantida. Mas Paulo não encerra. Porque há uma questão que todo judeu convertido e todo gentio em Roma precisava responder: se Deus é fiel, por que Israel rejeitou o Messias? Se as promessas de Deus são inabaláveis, o que aconteceu com o povo das promessas?
Essa não é uma questão apenas histórica. É uma questão teológica de primeira ordem. Porque se Deus falhou com Israel, como você vai confiar que Ele não vai falhar com você?
Paulo abre o capítulo 9 de um jeito que surpreende. Ele não começa com argumento. Começa com dor. “Tenho grande tristeza e incessante angústia no meu coração. Porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor a meus irmãos, meus parentes segundo a carne” (Romanos 9:2-3). Paulo estava disposto a se perder se isso salvasse Israel. Isso é amor pastoral no nível mais alto. É o mesmo espírito de Moisés, que pediu a Deus para ser apagado do livro da vida em favor do povo (Êxodo 32:32). Pregador que não tem dor pelas almas perdidas tem apenas ministério, mas não tem missão.
Paulo então lista o que Israel recebeu: a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os patriarcas, e de quem Cristo veio segundo a carne (Romanos 9:4-5). Nenhum povo recebeu tanto. Nenhum povo estava tão perto. E ainda assim rejeitou. Isso deveria ser um aviso para todo crente que cresceu na Igreja, que tem pai e mãe convertidos, que conhece a Bíblia de memória. Proximidade com as coisas de Deus não é garantia de salvação. O que salva é a fé pessoal, não a herança religiosa.
Mas Paulo deixa claro que a Palavra de Deus não falhou (Romanos 9:6). O problema não é a fidelidade de Deus. O problema é a definição de Israel. Porque nem todos os que descendem de Israel são de Israel (Romanos 9:6). Há um Israel segundo a carne e um Israel segundo a promessa. Há uma descendência biológica e uma descendência espiritual. Abraão teve vários filhos pois teve três mulheres ao longo de sua vida, mas a promessa foi em Isaque (Romanos 9:7). Isaque teve dois filhos, mas a escolha recaiu sobre Jacó antes de qualquer um fazer bem ou mal (Romanos 9:11).
E aqui Paulo entra num terreno que faz muita gente desconfortável. Ele cita Deus dizendo: “Jacó amei, mas Esaú odiei” (Romanos 9:13, citando Malaquias 1:2-3). E antes disso: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia” (Romanos 9:15, citando Êxodo 33:19). Paulo está afirmando a soberania absoluta de Deus nas suas escolhas. E ele antecipa a objeção humana com honestidade: então por que Deus ainda encontra falta em nós? Quem pode resistir à sua vontade? (Romanos 9:19).
A resposta de Paulo não é uma explicação filosófica. É uma correção de postura. Quem és tu, ó homem, para responder a Deus? Porventura pode o barro dizer ao oleiro: por que me fizeste assim? (Romanos 9:20). Isso não é autoritarismo divino. É a afirmação de que Deus é Deus e você não é. A criatura não tem base epistemológica para julgar o Criador. Você não tem informação suficiente, não tem perspectiva suficiente, não tem santidade suficiente para sentar no banco do júri e avaliar as decisões de Deus.
Mas atenção: Paulo não está pregando um calvinismo fatalista onde o homem não tem responsabilidade. Ele está pregando a soberania de Deus sem eliminar a responsabilidade humana. Ao longo de toda a carta ele deixou claro que a fé é o canal da salvação, que qualquer um que invocar o nome do Senhor será salvo (Romanos 10:13). Os dois lados são verdadeiros ao mesmo tempo. A eleição é real. A responsabilidade humana é real. A tensão entre elas é o lugar onde a teologia vive, não o lugar onde ela se resolve facilmente.
No capítulo 10, Paulo volta ao coração pastoral. O desejo do meu coração e a minha súplica a Deus a favor de Israel é para que sejam salvos (Romanos 10:1). Ele não desistiu de Israel. Nem Deus desistiu. E o que Israel precisava ouvir era o mesmo que qualquer ser humano precisa ouvir: porque se confessares com a tua boca que Jesus é Senhor e creres no teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Romanos 10:9).
Essa é uma das declarações de salvação mais claras de toda a Bíblia. Dois elementos: confissão e crença. Boca e coração. Não é só mental. Não é só emocional. É confissão pública de que Jesus é Senhor, com a crença interna de que a ressurreição aconteceu de verdade. Senhor aqui não é título de educação. É declaração de soberania. Dizer que Jesus é Senhor é dizer que ele manda na sua vida. Qualquer evangelho que não chega nesse ponto não chegou longe o suficiente.
Aliás, tratamos disso na aula passada, segunda-feira, que é quando ministramos aulas de teologia para os nossos incríveis alunos, os quais, estão aprendendo muito, tanto em sala de aula, quanto em nossas conversas pelo grupo de alunos na comunidade secreta. Não é apenas assistir vídeo, é mergulhar na bíblia de verdade. Nosso curso vai muito além de vídeo e apostila como os demais por aí. Só vendo para entender. Por isso, fica aqui o convite para que você veja uma aula sem compromisso, para isso, basta chamar no zap: 1195600-5068.
Enfim, na segunda feira passada, aprendemos sobre soteriologia, e entendemos a dinâmica da salvação desde os ouvidos, passando pela mente, pela alma, alcançando o coração do pecador, e o convertendo. O que Paulo descreveu em palavras, nós mostramos em ação, com um desenho tridimensional, foi incrível.
Agora, você percebeu que, ao mesmo tempo que Paulo diz que Deus amou a Jacó e não a Esaú, também diz que, Israel ainda pode ser salvo? Mesmo aqueles que o rejeitaram? Porque não há distinção entre judeu e grego, pois o mesmo Senhor é Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam (Romanos 10:12). O evangelho é universal. Não tem raça privilegiada diante de Deus. Não tem cultura mais próxima de Deus que outra. Há um único Senhor e um único caminho de acesso a Ele: a fé.
E então Paulo coloca o peso da pregação de uma forma que deveria mover qualquer pregador da cadeira: como ouvirão sem haver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? (Romanos 10:14-15). A salvação depende da fé. A fé depende de ouvir. Ouvir depende de alguém pregar. Pregar depende de alguém ser enviado. Há uma cadeia de responsabilidade que começa em Deus e passa pelo pregador antes de chegar ao pecador. Se você foi chamado para pregar e está calado, alguém está deixando de ouvir o que precisava ouvir para ser salvo.
Quão formosos são os pés dos que anunciam o evangelho das coisas boas! (Romanos 10:15, citando Isaías 52:7). Formosos. Não os pés que ficam parados. Os pés que vão. Os pés que percorrem distâncias por amor a uma alma. A pregação nunca foi conveniente. Sempre foi custosa. E sempre valeu o custo.
Mas Israel ouviu e não creu (Romanos 10:16-21). A Palavra chegou. O problema não foi a mensagem. Foi a resistência. E Paulo mostra que isso já estava previsto nos profetas. Israel não era ignorante. Era desobediente e contraditório (Romanos 10:21, citando Isaías 65:2). Isso é sério. Porque há pessoas que não precisam de mais informação bíblica. Precisam de obediência ao que já receberam.
No capítulo 11, Paulo faz a pergunta definitiva sobre Israel: Deus rejeitou o seu povo? (Romanos 11:1). E responde com a mesma firmeza: de modo nenhum. E usa a si mesmo como prova. Sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim (Romanos 11:1). Deus não rejeitou Israel. Deus reservou um remanescente. Assim como nos dias de Elias havia sete mil que não dobraram os joelhos a Baal (Romanos 11:4), também no tempo de Paulo havia um remanescente segundo a eleição da graça.
E aqui Paulo introduz um conceito de extrema importância para quem tem visão profética e pré-tribulacionista: o endurecimento de Israel é parcial e temporário. Porque o endurecimento em parte veio sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado (Romanos 11:25). Há um momento marcado no calendário de Deus para Israel. O tempo dos gentios tem fim. A janela missionária tem duração. E quando a plenitude dos gentios entrar, então todo Israel será salvo (Romanos 11:26).
Isso tem implicações proféticas diretas. O endurecimento de Israel não é permanente. A dispersão não é o destino final. Há uma restauração programada por Deus. Quem prega o fim dos tempos sem entender o lugar de Israel na profecia bíblica está pregando um escatologia incompleta.
Paulo usa a metáfora da oliveira para explicar a relação entre Israel e os gentios (Romanos 11:17-24). Os gentios foram enxertados como ramos silvestres numa oliveira natural. Isso é privilégio enorme. Mas Paulo adverte: não te ensoberbeças contra os ramos (Romanos 11:18). A Igreja não substituiu Israel no plano de Deus. Os gentios foram incluídos no plano que sempre existiu. Não há lugar para arrogância. Se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará os enxertados que se afastarem da fé (Romanos 11:21).
Esse é um aviso direto contra a teologia da substituição e também contra qualquer mentalidade de que a salvação é garantida independentemente da perseverança na fé. Paulo, com visão arminiana clara, não permite que a graça se torne acomodação. A continuidade no evangelho exige continuidade na fé.
E então Paulo encerra esse bloco de três capítulos com um dos doxologias mais sublimes que já foram escritas: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33). Depois de capítulos de argumentação densa, de tensão teológica, de perguntas difíceis, Paulo não encerra com uma fórmula. Encerra com adoração.
Porque há questões que não se resolvem com mais argumento. Resolvem-se com prostração diante de um Deus que é maior do que qualquer argumento.
Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? (Romanos 11:34). Ninguém. E o reconhecimento dessa realidade não é derrota intelectual. É maturidade espiritual. O teólogo mais maduro não é o que tem resposta para tudo. É o que sabe quando parar de argumentar e começar a adorar.
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém (Romanos 11:36).
Se você chegou até aqui nessa jornada por Romanos, você está pronto para o capítulo final. Porque depois de tanta doutrina, Paulo vai dizer o que tudo isso tem a ver com a sua vida do dia a dia.
E você vai descobrir que tem tudo a ver.
Deus abençoe sua vida, sua família e seu ministério em nome de Jesus.
Pregador Manassés clubedepregadores.com.br

