COMENTÁRIO DA LIÇÃO 6 – O FILHO COMO O VERBO DE DEUS – SUBSÍDIO EBD

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COMENTÁRIO DO TEMA

O tema “O Filho como o Verbo de Deus” nos leva ao coração da cristologia bíblica. João apresenta Jesus não como um profeta elevado ou um mestre especial, mas como o próprio Deus encarnado. O termo “Verbo” (Logos) comunica a autorrevelação de Deus em pessoa. Enquanto Deus falava através dos profetas, agora Ele fala por meio do Filho, que é a Palavra viva e eterna. Este tema nos confronta com a realidade de que conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, e rejeitar a Cristo é rejeitar ao Pai. A encarnação do Verbo marca o momento onde o eterno invade o temporal, o invisível se torna visível, e o transcendente habita entre nós.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

(João 1:14) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Este versículo encapsula o milagre da encarnação. A expressão “se fez carne” (gr. sarx egeneto) indica que o Verbo assumiu completamente a natureza humana, sem deixar de ser Deus. O verbo “habitou” (gr. eskēnōsen) literalmente significa “armou sua tenda”, evocando o Tabernáculo onde Deus habitava entre Israel. João testemunha ocularmente esta glória – não apenas ouviu falar, mas viu com seus próprios olhos. A frase “cheio de graça e de verdade” revela o caráter desta glória: não justiça sem misericórdia, nem misericórdia sem verdade, mas a perfeita união de ambas em Cristo.

COMENTÁRIO DA VERDADE PRÁTICA

Jesus Cristo é a suprema autorrevelação de Deus. Não existe conhecimento mais profundo do Pai fora de Cristo. Toda busca por Deus que ignora o Filho está fadada ao fracasso, pois ninguém vem ao Pai senão por Ele.

COMENTÁRIO DA LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

(João 1:1) No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

João ecoa Gênesis 1:1, mas vai além. Enquanto Gênesis fala do princípio da criação, João aponta para além do princípio – para a eternidade. O verbo “era” (gr. ēn) está no imperfeito, indicando existência contínua sem início. O Verbo não começou a existir; Ele sempre existiu. A expressão “estava com Deus” (pros ton Theon) denota relacionamento face a face, comunhão pessoal eterna entre o Pai e o Filho. E “o Verbo era Deus” (theos ēn ho logos) afirma inequivocamente a divindade plena do Filho – não “um deus”, mas Deus em essência e natureza.

(João 1:2) Ele estava no princípio com Deus.

João reforça o versículo anterior para eliminar qualquer dúvida. O Verbo não é uma emanação posterior, não é criado, não é inferior. Ele coexiste eternamente com o Pai desde antes de todas as coisas. Esta repetição deliberada combate heresias embrionárias que já surgiam, negando a plena divindade de Cristo.

(João 1:3) Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

O Verbo é apresentado como agente ativo da criação. A frase “todas as coisas” (panta) é absoluta – universo, anjos, humanidade, tudo. A negativa dupla “sem ele nada” enfatiza que não existe nada criado que não tenha sido feito por meio do Verbo. Isto prova sua divindade, pois criar é prerrogativa exclusiva de Deus. Como afirma Colossenses 1:16: Porque nele foram criadas todas as coisas que ha nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

(João 1:4) Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens.

O Verbo não apenas criou a vida; Ele é a fonte da vida. A expressão “nele estava a vida” indica que a vida reside permanentemente no Verbo. Ele possui vida em si mesmo, não derivada, não dependente. E esta vida se manifesta como luz – revelação, verdade, conhecimento de Deus. A luz expõe, guia, aquece, vivifica. Jesus mesmo declarou em João 8:12: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

(João 1:5) E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

O verbo grego katalambanō pode significar tanto “compreender” quanto “dominar/vencer”. As trevas não entenderam a luz, e também não conseguiram vencê-la. A história confirma: crucificaram Jesus, mas Ele ressuscitou. Perseguiram a igreja, mas ela se multiplicou. O reino das trevas usa toda força contra a luz, mas nunca prevalece. Como está escrito em João 12:35: Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem.

(João 1:14) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Este é o clímax teológico do prólogo. O eterno entra no tempo, o infinito assume forma finita, o Criador se torna criatura sem deixar de ser Criador. A palavra “carne” (sarx) enfatiza a realidade da humanidade de Cristo – não aparência, não ilusão, mas verdadeira encarnação. João e os apóstolos viram, tocaram, conviveram com o Verbo encarnado. Conforme 1 João 1:1: O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida.

INTRODUÇÃO DA INTRODUÇÃO

No tópico introdutório, o comentarista da lição apresenta o prólogo joanino como a porta de entrada para compreender quem é Jesus Cristo. Este prólogo não é mera poesia teológica, mas declaração doutrinária fundamental. João escreveu seu evangelho décadas após os sinóticos, tendo presenciado o surgimento de heresias que negavam a divindade ou a humanidade de Cristo. Por isso, ele começa estabelecendo com clareza absoluta: Jesus é Deus eterno que se fez carne. Esta introdução nos prepara para entender que a cristologia correta não é opcional – ela determina se temos o verdadeiro evangelho ou outro evangelho. Nossa adoração, nossa fé, nossa salvação dependem de conhecer corretamente quem é o Verbo de Deus.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 1 – O VERBO COMO DEUS ETERNO

Palavra-chave: LOGOS (λόγος)

No grego, Logos significa “palavra”, “razão”, “discurso”, “expressão”. Os filósofos gregos usavam este termo para designar o princípio racional que governa o universo. João, inspirado pelo Espírito Santo, toma emprestado este conceito familiar aos gregos e judeus helenizados, mas o preenche com conteúdo radicalmente novo: o Logos não é princípio abstrato, mas pessoa divina – Jesus Cristo. O Logos é a expressão pessoal e completa de Deus, revelando perfeitamente quem Deus é.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 1.1 – O Verbo Preexistente

No tópico 1.1, o comentarista da lição diz: “Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia”. Esta verdade nos confronta com a eternidade de Cristo. João usa deliberadamente a mesma frase que abre Gênesis, mas aponta para além da criação. Existem 4 evidências bíblicas claras da preexistência de Cristo:

Primeira evidência: Suas próprias palavras. Em João 8:58, Jesus declarou: Na verdade, na verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. O tempo presente “eu sou” (egō eimi) indica existência eterna, não temporal.

Segunda evidência: Suas orações. Em João 17:5, Ele orou: E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. Cristo possuía glória com o Pai antes da criação.

Terceira evidência: Testemunho apostólico. Paulo escreve em Filipenses 2:6: Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. A “forma de Deus” (morphē theou) indica a natureza essencial divina que Cristo sempre possuiu.

Quarta evidência: Sua atividade criadora. Colossenses 1:17 afirma: E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. Como pode o Criador ser posterior à criação?

COMENTÁRIO DO TÓPICO 1.2 – O Verbo como Pessoa Distinta

No tópico 1.2, o comentarista da lição diz: “A expressão grega pros ton Theon (com Deus) comunica relacionamento face a face”. A distinção pessoal dentro da unidade divina é mistério profundo, mas claramente revelado. A preposição grega pros indica movimento em direção e proximidade íntima. Não é mera coexistência, mas comunhão ativa e eterna.

Este relacionamento eterno entre Pai e Filho nos ensina 3 verdades essenciais sobre a Trindade:

Primeira verdade: Distinção real de Pessoas. O Filho não é o Pai. Em João 14:28, Jesus disse: O Pai é maior do que eu – não em essência, mas em função econômica na obra redentora. O Pai envia, o Filho é enviado.

Segunda verdade: Unidade essencial. Apesar da distinção pessoal, há unidade de essência. João 10:30 declara: Eu e o Pai somos um. O grego usa “um” (hen) no neutro, indicando unidade de essência, não de pessoa.

Terceira verdade: Amor eterno mútuo. João 17:24 revela: Porque tu me amaste antes da fundação do mundo. O amor não começou no Calvário; é eterno entre as Pessoas da Trindade. Este amor eterno transbordou na criação e redenção.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 1.3 – O Verbo é da Mesma Essência do Pai

No tópico 1.3, o comentarista da lição diz: “A omissão do artigo não significa ‘um deus’, como sustentam traduções heréticas”. A gramática grega aqui é crucial. Quando João escreve “theos ēn ho logos” (Deus era o Verbo), a ausência do artigo definido antes de “theos” tem propósito teológico específico.

Os estudiosos da gramática grega, especialmente Daniel Wallace e A.T. Robertson, explicam que quando o predicado nominativo (Deus) precede o verbo em grego, geralmente não leva artigo, mas isso enfatiza a qualidade ou natureza, não inferioridade. Se João quisesse dizer “um deus”, usaria o artigo indefinido ou alguma construção que indicasse isso claramente.

Existem 5 razões pelas quais “theos” sem artigo aqui significa plena divindade:

Primeira razão: Contexto imediato. Os versículos anteriores estabeleceram a eternidade e a coexistência do Verbo com Deus. Seria contraditório agora negar sua plena divindade.

Segunda razão: Uso consistente de João. Em João 20:28, Tomé confessa: Senhor meu, e Deus meu! Usando “ho theos” (com artigo) para Jesus. João não corrigiu esta confissão, validando-a.

Terceira razão: Testemunho do Antigo Testamento. Isaías 9:6 profetiza: E chamar-se-á o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. O Messias é chamado “Deus Forte” (El Gibbor).

Quarta razão: Adoração recebida. Hebreus 1:6 ordena: E todos os anjos de Deus o adorem. Anjos não podem adorar criatura, apenas o Criador.

Quinta razão: Atributos divinos. Colossenses 2:9 declara: Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. Não parte, mas toda a plenitude.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 2 – O VERBO COMO CRIADOR

Palavra-chave: KTIZŌ (κτίζω)

No grego do Novo Testamento, ktizō significa “criar”, “fundar”, “formar”. Este verbo é usado exclusivamente para a atividade criadora de Deus. No Antigo Testamento, o equivalente hebraico é bara (בָּרָא), termo reservado apenas para Deus. Quando a Bíblia diz que todas as coisas foram “feitas” (egeneto) por meio do Verbo, está afirmando que Ele é o agente ativo da criação divina, compartilhando da prerrogativa exclusiva do Criador.

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COMENTÁRIO DO TÓPICO 2.1 – O Agente da Criação

No tópico 2.1, o comentarista da lição diz: “João apresenta Jesus também como Criador: ‘Todas as coisas foram feitas por ele'”. Esta afirmação destrói completamente qualquer tentativa de subordinar Cristo a categoria de criatura. A lógica é simples e irrefutável: se Cristo criou todas as coisas, Ele não pode estar incluído em “todas as coisas criadas”.

Existem 4 aspectos da atividade criadora do Verbo que precisamos compreender:

Primeiro aspecto: Criação material. Gênesis 1:1 declara: No princípio criou Deus os céus e a terra. João 1:3 revela que este Deus criador é o Verbo. Hebreus 1:10 aplica diretamente a Cristo as palavras do Salmo 102: E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.

Segundo aspecto: Criação angelical. Colossenses 1:16 especifica: Porque nele foram criadas todas as coisas que ha nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Os anjos, incluindo aqueles que caíram, foram criados por Cristo.

Terceiro aspecto: Criação da humanidade. Gênesis 1:26 registra: E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. O plural “façamos” sugere a participação das Pessoas da Trindade na criação do homem.

Quarto aspecto: Criação da nova criatura. 2 Coríntios 5:17 ensina: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é. O mesmo Verbo que criou o universo agora recria espiritualmente aqueles que nEle creem.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 2.2 – A Fonte da Vida

No tópico 2.2, o comentarista da lição diz: “Esta declaração revela que o Verbo é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida”. A expressão “nele estava a vida” (en autō zōē ēn) usa o verbo no imperfeito, indicando existência contínua e permanente. A vida não foi depositada no Verbo; ela reside nEle eternamente.

Existem 3 dimensões da vida que o Verbo possui e comunica:

Primeira dimensão: Vida física/biológica. João 1:4 conecta o Verbo como Criador (v.3) com a vida (v.4). Toda vida orgânica, desde a bactéria até o ser humano, tem sua fonte nEle. Atos 17:25 declara: Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem da a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas.

Segunda dimensão: Vida espiritual. João 5:26 revela o mistério: Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo. Esta é vida não derivada, autossuficiente. O Filho comunica vida espiritual aos mortos espirituais. Efésios 2:1 descreve nossa condição anterior: E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.

Terceira dimensão: Vida eterna. João 3:16 promete: Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Esta vida não é apenas existência sem fim, mas qualidade de vida – a própria vida de Deus compartilhada conosco. 1 João 5:11-12 afirma: E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 2.3 – A Luz dos Homens

No tópico 2.3, o comentarista da lição diz: “A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus, porque nEle não ha trevas alguma”. A luz é símbolo rico nas Escrituras. No Antigo Testamento, a primeira criação foi a luz (Gn 1:3), e o Tabernáculo era iluminado pelo candelabro de ouro (Êx 25:31-40), simbolizando a presença de Deus.

Existem 5 funções da luz que Cristo exerce em nossa vida:

Primeira função: Revelação. A luz expõe o que está oculto. João 3:19-20 explica: E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Cristo revela a verdade sobre Deus, sobre nós mesmos, sobre o pecado.

Segunda função: Direção. Salmo 119:105 declara: Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. Jesus, o Verbo encarnado, guia nossos passos, mostra o caminho correto. João 12:46 promete: Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

Terceira função: Purificação. 1 João 1:7 ensina: Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. A luz não apenas mostra a sujeira; ela purifica.

Quarta função: Transformação. 2 Coríntios 3:18 revela o processo: Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. A exposição à luz de Cristo nos transforma à Sua imagem.

Quinta função: Testemunho. Mateus 5:14-16 nos comissiona: Vós sois a luz do mundo. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Refletimos a luz que recebemos de Cristo.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 3 – O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

Palavra-chave: EXĒGEOMAI (ἐξηγέομαι)

O verbo grego exēgeomai significa “explicar”, “interpretar”, “tornar conhecido”. João 1:18 usa este termo: “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer”. A palavra portuguesa “exegese” vem deste verbo. Cristo é a exegese viva do Pai – Ele interpreta, explica, revela perfeitamente quem é Deus. Nenhum profeta, anjo ou criatura poderia fazer isso. Apenas Aquele que está eternamente no seio do Pai pode revelar plenamente quem Ele é.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 3.1 – A Encarnação do Verbo

No tópico 3.1, o comentarista da lição diz: “O Verbo se tornou homem sem deixar de ser Deus”. O mistério da encarnação é o coração do cristianismo. Filipenses 2:6-7 descreve este processo: Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.

A palavra “esvaziou-se” (ekenōsen) tem gerado muita discussão teológica. Cristo não se esvaziou da divindade, mas da glória visível, dos privilégios, do uso independente de Seus atributos divinos. Ele voluntariamente limitou o exercício de alguns atributos (como onipresença e onisciência), submetendo-se às limitações humanas, sem perder estes atributos.

Existem 4 razões teológicas pelas quais a encarnação era necessária:

Primeira razão: Substituição penal. Hebreus 2:14 explica: E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo. Cristo precisava ser humano para morrer em nosso lugar.

Segunda razão: Sacerdócio qualificado. Hebreus 4:15 revela: Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Para ser nosso representante, Cristo precisava experimentar nossa humanidade.

Terceira razão: Revelação compreensível. João 14:9 declara: Quem me vê a mim vê o Pai. Deus Pai é espírito invisível; mas em Cristo, o invisível se tornou visível, o incompreensível se fez compreensível.

Quarta razão: Exemplo imitável. 1 Pedro 2:21 ensina: Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. Um Deus distante não poderia ser nosso modelo; mas Deus encarnado, sim.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 3.2 – A Plenitude da Graça e da Verdade

No tópico 3.2, o comentarista da lição diz: “A frase ‘cheio de graça e de verdade’ revela o conteúdo dessa glória”. Esta expressão evoca o Antigo Testamento. Em Êxodo 34:6, quando Deus revelou Sua glória a Moisés, proclamou: Jeová, o Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade.

A graça (gr. charis) representa o amor imerecido de Deus, Sua bondade para com pecadores indignos. A verdade (gr. alētheia) representa Sua fidelidade, confiabilidade, realidade absoluta. Em Cristo, estas duas qualidades se encontram perfeitamente.

Existem 3 contrastes entre a lei e a graça que João estabelece:

Primeiro contraste: Origem. João 1:17 afirma: Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. A lei veio através de um mediador humano; a graça veio diretamente de Deus encarnado.

Segundo contraste: Função. Romanos 3:20 explica: Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado. A lei diagnostica; a graça cura. A lei mostra o pecado; Cristo remove o pecado.

Terceiro contraste: Resultado. Romanos 8:1-2 declara: Portanto, agora nenhuma condenação ha para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. A lei condenava; a graça liberta.

COMENTÁRIO DO TÓPICO 3.3 – O Revelador do Deus Invisível

No tópico 3.3, o comentarista da lição diz: “Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é invisível e inacessível”. Esta verdade é fundamental. 1 Timóteo 6:16 descreve Deus como: Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver.

A expressão “Deus unigênito” (monogenēs theos) em João 1:18 aparece nos melhores manuscritos gregos. Alguns manuscritos trazem “Filho unigênito”, mas “Deus unigênito” tem melhor apoio textual e faz sentido teológico perfeito. Cristo é o único Deus gerado – não criado, mas gerado eternamente do Pai, compartilhando da mesma essência divina.

Existem 5 formas pelas quais Cristo revela o Pai:

Primeira forma: Por Suas palavras. João 14:10 explica: As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Cada palavra de Cristo revela o caráter e vontade do Pai.

Segunda forma: Por Suas obras. João 5:19 declara: O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente. Os milagres de Cristo são obras do Pai através do Filho.

Terceira forma: Por Seu caráter. Hebreus 1:3 afirma: O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa. A palavra “expressa imagem” (charaktēr) significa cunho, impressão exata. Cristo é a reprodução perfeita do Pai.

Quarta forma: Por Seu amor. 1 João 4:9 revela: Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivêssemos. O maior ato de amor do Pai foi enviar o Filho.

Quinta forma: Por Sua morte. Romanos 5:8 declara: Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. A cruz revela a justiça e a misericórdia do Pai simultaneamente.

CONCLUSÃO DA CONCLUSÃO

O Verbo eterno, Criador e Revelador se fez carne para salvar pecadores. Rejeitar esta verdade é rejeitar o próprio evangelho. Nossa resposta deve ser adoração, obediência e proclamação deste Cristo glorioso.


Deus abençoe sua vida, família e ministério em nome de Jesus.

Pregador Manassés
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