SUBSÍDIO EBD – COMENTÁRIO DA LIÇÃO 12 – O ESPÍRITO HUMANO E O ESPÍRITO DE DEUS

0 0 votos
Classificação do artigo

COMENTÁRIO DO TEMA

O tema desta lição nos conduz ao santuário mais íntimo da experiência cristã: o encontro do finito com o Infinito, do humano com o Divino. Quando falamos do espírito humano e do Espírito de Deus, adentramos território sagrado onde a razão se curva e a fé se eleva. Não se trata de mera doutrina teológica, mas da realidade palpitante de uma comunhão que transforma, edifica e frutifica. O apóstolo Paulo capturou essa verdade sublime ao declarar que o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito. É nesse diálogo celestial, nessa conversa entre dois espíritos, que nossa identidade como filhos de Deus se consolida e nossa jornada espiritual ganha propósito e direção.

COMENTÁRIO DO TEXTO ÁUREO

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Rm 8.16)

Paulo nos apresenta aqui um dos mistérios mais profundos da fé cristã: o testemunho interno do Espírito. Não é uma voz audível, nem uma revelação externa, mas uma certeza interior que transcende argumentos e provas. O verbo “testifica” (summarturéō, no grego) significa “dar testemunho conjunto”, indicando uma cooperação, um acordo entre dois. O Espírito Santo não substitui nosso espírito, mas age em harmonia com ele, confirmando nossa adoção divina. Esta verdade deveria encher nossos corações de gratidão e segurança, pois não dependemos apenas de nossos sentimentos flutuantes ou de nossa compreensão limitada para saber que pertencemos a Deus.

COMENTÁRIO DA VERDADE PRÁTICA

A verdade prática nos lembra que o Espírito Santo não é um conceito teológico distante, mas uma Pessoa ativa em nosso interior. Seu testemunho, intercessão, edificação e produção de fruto são realidades diárias na vida do crente consagrado. Precisamos cultivar sensibilidade à Sua voz e disposição para cooperar com Sua obra santificadora em nós.

COMENTÁRIO DA LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 8.14 – “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”

Paulo estabelece aqui o marcador distintivo da filiação divina: ser guiado pelo Espírito. A palavra “guiados” (ágō, no grego) carrega a ideia de ser conduzido, levado continuamente. Não se trata de uma experiência ocasional, mas de um estilo de vida. Os filhos de Deus vivem sob a direção constante do Espírito, permitindo que Ele influencie suas decisões, molde seu caráter e direcione seus passos.

(Gálatas 5.18) Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

Romanos 8.15 – “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.”

O contraste aqui é poderoso: escravidão versus adoção, temor versus intimidade. O Espírito que recebemos não nos torna servos amedrontados, mas filhos confiantes. A expressão aramaica “Aba” era usada por crianças para se dirigirem a seus pais com ternura e confiança, equivalente ao nosso “papai”. Que privilégio! O Deus Todo-Poderoso permite que nos aproximemos dEle com essa familiaridade santa.

Romanos 8.16 – “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”

Este versículo já foi explorado no texto áureo, mas vale ressaltar que o testemunho do Espírito é pessoal e individual. Cada crente pode experimentar essa confirmação interior de sua filiação divina. Não é uma experiência reservada para “super cristãos”, mas para todos os que creem genuinamente em Cristo.

1 Coríntios 14.14 – “Porque, se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto.”

Paulo nos revela aqui uma dimensão fascinante da oração em línguas: ela opera no nível do espírito, além da compreensão mental. A frase “o meu espírito ora bem” indica eficácia espiritual mesmo sem entendimento intelectual. Esta é uma verdade libertadora: nem tudo precisa passar pelo filtro da razão para ser válido espiritualmente. Há comunicação profunda entre nosso espírito e o Espírito de Deus que transcende palavras conhecidas.

(Judas 1.20) Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.

Gálatas 5.22-23 – “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.”

Note que Paulo usa “fruto” no singular, não “frutos”. Todas essas virtudes formam um conjunto integrado, o retrato do caráter de Cristo sendo formado em nós. Amor sem paz seria incompleto; alegria sem mansidão seria superficial. O Espírito não produz virtudes isoladas, mas um caráter completo que reflete a imagem de Jesus.

INTRODUÇÃO DA INTRODUÇÃO

A introdução da lição nos convida a explorar territórios profundos da experiência cristã, onde o visível encontra o invisível, onde nossa humanidade toca a divindade. Estudar a obra do Espírito Santo no espírito humano é como contemplar as raízes de uma árvore: nem sempre visíveis, mas absolutamente essenciais para a vida que se manifesta nos ramos, folhas e frutos. Desde o despertar da consciência até a produção do fruto do Espírito, tudo aponta para uma verdade central: somos seres espirituais destinados à comunhão com o Espírito de Deus. Que esta lição não seja apenas estudo teológico, mas encontro transformador.

COMENTÁRIO DO TÓPICO I – A OBRA INICIAL DO ESPÍRITO

Comentário do Tópico 1.1 – Consciência e Fé

No tópico 1.1, o comentarista da lição diz: “A ação do Espírito Santo começa em nossa consciência, despertando-a da culpa pelo pecado, e apontando a necessidade de perdão.”

A palavra “consciência” (suneidēsis, no grego) significa literalmente “conhecimento compartilhado” ou “co-conhecimento”, sugerindo uma percepção interna que nos acompanha. Antes da ação do Espírito, nossa consciência pode estar cauterizada pelo pecado, insensível à voz de Deus. O primeiro milagre do Espírito é despertar essa consciência adormecida, como um jardineiro que remove camadas de terra endurecida para que a semente penetre.

Pense em Zaqueu, aquele chefe dos publicanos que acumulara riquezas através de extorsão. Quando Jesus entrou em sua casa, algo se moveu em seu interior. A presença de Cristo, mediada pelo Espírito, despertou sua consciência adormecida. O resultado foi imediato: “Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lucas 19.8).

(João 16.8) E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo.

A obra de convencimento do Espírito não é para nos esmagar, mas para nos libertar. Ele aponta nossa condição não para nos condenar, mas para nos conduzir ao único que pode nos perdoar. E então vem a fé, esse dom divino que o Espírito produz em nós através da Palavra. Não fabricamos fé; ela é gerada em nosso espírito quando o Espírito Santo torna a Palavra viva e real para nós.

(Efésios 2.8) Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.

A regeneração é o nascimento “da água e do Espírito” – um milagre invisível aos olhos naturais, mas absolutamente real. O espírito que estava morto, separado de Deus, é vivificado. É como se acendessem uma luz em um quarto que esteve às escuras durante toda a vida. De repente, há percepção, há vida, há conexão com o Divino.

Comentário do Tópico 1.2 – A Pedagogia do Espírito

No tópico 1.2, o comentarista da lição diz: “Paulo refere-se ao papel pedagógico do Espírito, que nos ensina as coisas espirituais.”

A palavra “pedagógico” vem do grego paidagōgos, que originalmente se referia ao servo que conduzia a criança à escola e supervisionava sua educação. O Espírito Santo é nosso Mestre divino, não apenas transmitindo informações, mas transformando nossa compreensão e renovando nossa mente.

Jesus prometeu que o Espírito nos ensinaria “todas as coisas” e nos faria lembrar de tudo quanto Ele disse. Isso significa que o ensino do Espírito não é apenas para adquirir conhecimento novo, mas também para iluminar verdades já conhecidas, fazendo-as ganhar vida e aplicação prática em nossas circunstâncias diárias.

(1 Coríntios 2.12) Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.

Considere os discípulos após o Pentecostes. Eles haviam convivido com Jesus por três anos, ouviram Seus ensinamentos, testemunharam Seus milagres. Mas foi somente após a vinda do Espírito Santo que aquelas verdades se tornaram plenamente claras. Pedro, que antes negara a Cristo, agora prega com ousadia e autoridade. A diferença? A pedagogia do Espírito.

Paulo nos alerta contra as filosofias e ideologias que tentam moldar nossa mente segundo os padrões mundanos. Vivemos bombardeados por vozes que querem nos conformar ao pensamento secular, ao relativismo moral, às teologias que diluem a verdade para agradar ouvidos comichantes. Contra tudo isso, o Espírito Santo estabelece uma contracultura espiritual em nosso interior.

(Colossenses 2.8) Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.

Comentário do Tópico 1.3 – A Renovação da Mente

No tópico 1.3, o comentarista da lição diz: “Devemos viver em constante contato com o Espírito de Deus, para que, com uma mente sempre renovada, desfrutemos da sabedoria divina.”

A palavra “renovação” (anakainōsis, no grego) significa literalmente “fazer novo de novo”, sugerindo um processo contínuo, não um evento único. Nossa mente não é renovada uma vez por todas na conversão; ela precisa de renovação constante à medida que enfrentamos novos desafios, tentações e circunstâncias.

Paulo conecta a renovação da mente com a consagração total: “apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Romanos 12.1). Não há renovação mental genuína sem entrega total. Não podemos pedir que Deus renove nossa mente enquanto mantemos áreas de nossa vida sob nosso controle exclusivo.

(Romanos 12.2) E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

As disciplinas espirituais da oração e leitura das Escrituras são canais pelos quais o Espírito opera essa renovação. Quando oramos, não estamos apenas falando com Deus; estamos nos posicionando para ouvir Sua voz. Quando lemos a Palavra, não estamos apenas adquirindo conhecimento bíblico; estamos permitindo que o Espírito use aquelas verdades para remodelar nossos padrões de pensamento.

Pense em Josias, o jovem rei que encontrou o Livro da Lei. Aquela descoberta não foi mero achado arqueológico; foi um encontro transformador que resultou em reforma espiritual completa. A Palavra, iluminada pelo Espírito, tem esse poder de revolucionar nossa vida.

(Salmos 119.105) Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.

Comentário do Tópico 1.4 – Voz e Luz

No tópico 1.4, o comentarista da lição diz: “Quando tiramos tempo para ouvir o Espírito, Ele fala de muitas maneiras ao íntimo de nosso ser.”

A palavra “iluminar” (phōtizō, no grego) significa “dar luz”, “tornar claro”, “revelar”. O Espírito não apenas nos dá informações; Ele ilumina os olhos do nosso coração, permitindo-nos ver o que antes estava oculto. É como quando alguém acende a luz em um quarto escuro – os objetos sempre estiveram lá, mas agora podemos vê-los claramente.

Para receber estudos, devocionais e pregações em texto, me chama no zap.

O “coração” (kardia) na literatura paulina frequentemente se refere ao centro da personalidade humana, incluindo o espírito, a mente e as emoções. Quando o Espírito ilumina esse centro, toda a nossa percepção espiritual se transforma. Começamos a enxergar as coisas da perspectiva de Deus, não apenas da nossa perspectiva limitada.

(Efésios 1.17-18) Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos.

O Espírito traz sabedoria para decisões práticas, revelação para questões espirituais, esclarecimento para dúvidas doutrinárias, entendimento para mistérios divinos, e paz para corações perturbados. Ele não é apenas nosso Consolador; é nosso Conselheiro constante.

Considere Samuel, ainda jovem, aprendendo a ouvir a voz de Deus no templo. Inicialmente, ele não reconheceu a voz divina, confundindo-a com a voz de Eli. Mas com orientação e prática, ele se tornou alguém cuja palavra não caía em terra. O Espírito nos ensina a distinguir Sua voz das muitas vozes que clamam por nossa atenção.

(Provérbios 20.27) O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.

COMENTÁRIO DO TÓPICO II – TESTEMUNHO, INTERCESSÃO E EDIFICAÇÃO

Comentário do Tópico 2.1 – O Espírito Testifica ao Espírito

No tópico 2.1, o comentarista da lição diz: “Tratando da vida do cristão — a vida no Espírito —, Paulo menciona a adoção espiritual, que é testificada pelo Espírito Santo ao espírito do crente regenerado.”

A palavra “adoção” (huiothesia, no grego) era um termo legal no império romano que descrevia o processo pelo qual alguém que não era filho natural se tornava filho legítimo com todos os direitos de herança. Deus não apenas nos perdoa; Ele nos adota! Não somos apenas servos perdoados; somos filhos amados.

O testemunho do Espírito não é uma voz audível externa, mas uma certeza interna profunda. É como quando uma criança reconhece a voz de sua mãe em meio a uma multidão – há um reconhecimento instintivo, uma ressonância espiritual. O Espírito Santo sussurra à nossa alma: “Você pertence a Deus. Você é filho. Você é herdeiro.”

(Romanos 8.16) O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

Esta certeza interior é fundamental para nossa estabilidade espiritual. Sem ela, seríamos jogados entre dúvidas e inseguranças, questionando constantemente nossa salvação. Mas quando o Espírito testifica, há uma paz que transcende circunstâncias, uma segurança que não depende de sentimentos flutuantes.

Paulo orava pelos efésios para que Cristo habitasse, pela fé, em seus corações. Esta habitação de Cristo é mediada pelo Espírito Santo e resulta em compreensão e conhecimento do amor de Cristo “que excede todo o entendimento”. Há coisas que só a fé alcança, verdades que a razão sozinha nunca compreenderá plenamente.

(Efésios 3.17-19) Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.

Pense em João, o discípulo amado, recostado no peito de Jesus. Aquela proximidade física simboliza a intimidade espiritual que o Espírito estabelece entre Cristo e nós. O testemunho do Espírito nos assegura que somos tão amados quanto João foi, tão próximos de Cristo quanto ele estava.

Comentário do Tópico 2.2 – O Espírito Intercede

No tópico 2.2, o comentarista da lição diz: “Essa ação permite que, muito além de nosso intelecto, haja uma profunda súplica diante do Pai, perfeitamente sintonizada com ‘a intenção do Espírito.'”

A palavra “interceder” (huperentugchanō, no grego) é intensiva, significando literalmente “fazer petição em favor de”, “pleitear a causa de alguém”. O Espírito Santo não apenas nos ensina a orar; Ele ora conosco e por nós, especialmente quando não sabemos como orar.

Há momentos em nossa jornada espiritual quando a dor é tão profunda, a confusão tão grande, a situação tão complexa que não encontramos palavras adequadas. Queremos orar, mas as palavras não vêm. É exatamente aí que o Espírito Santo entra em ação, intercedendo por nós “com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26).

(Romanos 8.26-27) E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.

Esta intercessão do Espírito não se limita ao que pedimos ou pensamos. Deus age “infinitamente mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Efésios 3.20). Por quê? Porque o Espírito vê o que não vemos, conhece o que não conhecemos, compreende nossas necessidades mais profundas que nem nós mesmos identificamos.

Considere Ana, a mãe de Samuel, orando no templo com tal intensidade que Eli pensou que ela estivesse embriagada. A Bíblia diz que ela “falava no seu coração” (1 Samuel 1.13). Aquela oração transcendeu palavras audíveis; foi uma comunhão profunda de espírito com Espírito, e Deus respondeu além do que ela imaginava, dando-lhe não apenas Samuel, mas mais filhos depois.

(Provérbios 20.27) O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do ser.

O Espírito prescruta nosso interior, conhece nossas necessidades mais profundas, nossas dores mais secretas, nossos anseios mais verdadeiros, e intercede perfeitamente segundo a vontade de Deus. Que privilégio saber que nunca oramos sozinhos!

COMENTÁRIO DO TÓPICO III – EDIFICAÇÃO E FRUTO DO ESPÍRITO

Comentário do Tópico 3.1 – O Espírito Ora Bem

No tópico 3.1, o comentarista da lição diz: “As línguas estranhas são articuladas segundo o Espírito de Deus. Quando oramos em línguas, portanto, oramos segundo o Espírito.”

A palavra “edificar” (oikodomeō, no grego) significa literalmente “construir uma casa”, sugerindo um processo gradual e intencional de fortalecimento espiritual. Quando Paulo diz que quem fala em língua “edifica-se a si mesmo” (1 Coríntios 14.4), ele está indicando que essa prática constrói, fortalece e desenvolve nosso homem interior.

A oração em línguas é um mistério glorioso. O apóstolo esclarece: “o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto” (1 Coríntios 14.14). Note a expressão “ora bem” – não é uma oração defeituosa por não envolver o intelecto; é uma oração perfeita porque flui diretamente do Espírito Santo através do nosso espírito, sem as limitações do nosso conhecimento ou raciocínio.

(1 Coríntios 14.4) O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.

Nossa mente naturalmente quer compreender tudo. Queremos analisar, categorizar, explicar. Mas a oração em línguas nos ensina a confiar sem compreender completamente, a nos rendermos ao Espírito sem ter controle total. É um exercício de fé que vai além da razão, não contra ela, mas além dela.

Paulo não apenas orava em línguas; ele também cantava em línguas! “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (1 Coríntios 14.15). Que maravilha! O Espírito Santo pode transformar nossa adoração em melodias que transcendem composições humanas, expressando diretamente ao Pai o que há em nosso espírito.

(Judas 1.20) Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo.

Pense no dia de Pentecostes. Os discípulos não começaram a falar em línguas porque estudaram idiomas estrangeiros; eles foram cheios do Espírito Santo que lhes deu capacidade para falar conforme Ele concedia. Foi sobrenatural, foi edificante, foi transformador. O mesmo Espírito continua operando hoje, edificando nosso homem interior com poder através dessa maravilhosa manifestação.

Comentário do Tópico 3.2 – O Ápice da Vida Cristã

No tópico 3.2, o comentarista da lição diz: “Chamadas de fruto do Espírito, representam o ápice da vida cristã e envolvem nosso ser por inteiro.”

A palavra “fruto” (karpos, no grego) é singular, não plural, indicando uma unidade orgânica. Não são virtudes separadas que podemos escolher cultivar individualmente; é um caráter completo, integrado, que o Espírito produz em nós quando nos rendemos totalmente a Ele. Todas essas qualidades fluem da mesma fonte: o Espírito Santo habitando em nós.

Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio – este é o retrato de Cristo! Quando o Espírito produz Seu fruto em nós, Ele está literalmente formando Cristo em nós, tornando-nos semelhantes à imagem do Filho de Deus.

(Gálatas 5.22-23) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.

A santificação é obra progressiva do “Espírito de santificação”. Não acontece da noite para o dia. É como uma

árvore que cresce: primeiro a raiz, depois o tronco, os galhos, as folhas e finalmente o fruto. O Espírito trabalha pacientemente em nós, dia após dia, transformando nosso caráter à semelhança de Cristo.

(Romanos 1.4) Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos.

Paulo nos alerta que as obras da carne são evidentes e estão em direto conflito com o fruto do Espírito. Não podemos produzir o fruto do Espírito enquanto alimentamos as obras da carne. É preciso escolha diária: andar segundo a carne ou andar segundo o Espírito. Não há meio termo, não há zona neutra.

(Gálatas 5.19-21) Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Considere uma laranjeira. Ela não se esforça para produzir laranjas; ela simplesmente produz porque essa é sua natureza, desde que esteja plantada em boa terra, receba sol e água adequados. Da mesma forma, quando estamos enraizados em Cristo, permanecendo n’Ele, o fruto surge naturalmente. Não é esforço humano; é resultado da vida do Espírito fluindo através de nós.

CONCLUSÃO

Chegamos ao fim desta jornada pela sublime interação entre o espírito humano e o Espírito de Deus, mas na verdade, este é apenas o começo de uma vida inteira de descobertas. O que estudamos não é mera teoria teológica para ser arquivada em nossa mente; é realidade viva que deve permear cada aspecto de nossa existência.

O Espírito Santo não quer ser apenas objeto de nosso estudo, mas Senhor de nossa vida. Ele deseja guiar cada decisão, iluminar cada pensamento, interceder em cada oração, edificar cada área de nosso ser e produzir em nós o caráter sublime de Cristo. Esta é a vida no Espírito – uma jornada de intimidade crescente, transformação contínua e frutificação abundante.

Que não sejamos cristãos que conhecem sobre o Espírito Santo apenas intelectualmente, mas cristãos que vivem em constante comunhão com Ele, sensíveis à Sua voz, obedientes à Sua direção, cooperando com Sua obra santificadora. Que nosso espírito esteja sempre sintonizado com o Espírito de Deus, vivendo a realidade gloriosa de sermos filhos do Pai, guiados pelo Espírito, sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo.

O testemunho do Espírito, Sua intercessão, Sua edificação e Seu fruto em nós não são luxos espirituais reservados para alguns privilegiados; são a herança de todos os que creem. Portanto, rendamo-nos completamente, busquemos incansavelmente, e vivamos plenamente esta vida no Espírito que nos foi graciosamente concedida.

Que o Espírito Santo continue Sua obra magnífica em cada um de nós, até que Cristo seja formado completamente em nosso interior, e Sua glória resplandeça através de nossas vidas. Amém.

Para receber estudos, devocionais e pregações em texto, me chama no zap.

0 0 votos
Classificação do artigo
1 Comentário
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
JOSÉ ROBERTO
JOSÉ ROBERTO

a PAZ DO SENHOR JESUS parabéns pelo trabalho sou Presbítero José Roberto de Planura MG, pela misericórdia de Deus também coordenador da EBO e um dos professores estudei seu material para aplica-lo amanha que Jesus continue através do nosso amigo Espirito Santo te usando e dando graças.

View Comment

Este sitio web utiliza cookies para que usted tenga la mejor experiencia de usuario. Si continúa navegando está dando su consentimiento para la aceptación de las mencionadas cookies y la aceptación de nuestra política de cookies, pinche el enlace para mayor información.

ACEPTAR
Aviso de cookies
Rolar para cima